quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
TEMPOS DE CAOS E BARBÁRIE
Os tempos são mesmo de caos e barbárie. A extrema-direita de Marine Le Pen venceu as eleições regionais francesas. O fascismo contra o diferente, contra os imigrantes, contra os refugiados ganha terreno. Os chacais nazis cerram os dentes. Na Venezuela a revolução do comandante Hugo Chávez e de Maduro perde terreno para a máfia capitalista. É uma guerra esta que travamos. Entre a vida e a morte. Entre o socialismo e a direita trauliteira e fascista. Entre a castração e a liberdade. Entre a manha e a justiça. Não cederemos. O mundo é nosso. Usaremos o caos a nosso favor. Já lá estivemos várias vezes. Não suportamos mais estes gajos. Não suportamos mais as suas fortunas, os seus bancos, as suas empresas. Vimos de outros mundos. Nascemos sob a tal estrela. Seguiremos Chávez , Fidel e o Che mas também Bakunine e Kropotkine. Estivemos muito tempo calados. Agora é a nossa hora. Tomaremos as ruas e as praças. Ocuparemos bancos, palácios e assembleias. Empurrá-los-emos para fora da vida, a esses imbecis endinheirados. Um novo mundo nascerá. Um mundo de amor, liberdade e celebração. Sim, nós somos os primeiros homens. Nós nascemos para criar e transformar. Do caos nascerá a luz. Nós amamos loucamente as mulheres belas. Nada temos a ver com a ditadura tecnológica. Renegamos o império financeiro e mediático. Não suportamos o consumismo do Natal e o consumismo em geral. Sim, vimos de longe. Descemos a montanha com Zaratustra. Viemos para junto dos homens. Uns amam-nos, outros odeiam-nos. Temos que nos habituar a isso. Como Sócrates, como Jesus. Começamos a ganhar fama. Aqui em Braga. A nossa cidade. A cidade onde crescemos. Onde conhecemos a noite e a mulher. Aqui reinamos. Aqui somos soberanos. Agora nada nos vai parar.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
MAGOS, POETAS
Queria transmitir o que sei aos mais novos. Mas raramente estou com eles. Nem sei bem o que eles pensam. Queria transmitir-lhes que esta via não é única nem irreversível. Que, dentro de nós, existem forças maravilhosas, forças que nos elevam, que fazem de nós poetas, magos, criadores. Que o mundo de todos os dias, das obrigações, do trabalho não é o único. Pelo menos alguns de nós somos capazes de superar esse mundo porque somos enviados dos céus e podemos construir o céu na terra. Temos capacidades mentais prodigiosas. Não as desperdicemos.
domingo, 15 de novembro de 2015
COMPRA E VENDA
Eles andam por aí como macacos. Saúdam-se, cumprimentam-se. Dizem umas graçolas. Compram e vendem. Assim existem. Não lêem. Não evoluem. Repetem os dias, os comportamentos, as ideias. Reproduzem as ideias que lhes vendem. Não têm pensamento próprio. Macaqueiam. Arrastam-se. Pagam. Compram. Vendem. Mexem no dinheiro. Propagam a espécie. Reproduzem-se. Passam o Natal, a Páscoa, o Ano Novo. Falam. Conversam. Mexem no telemóvel. Comem. Bebem. Mijam. Cagam. Dormem. Fodem. Compram. Vendem.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
O PASSOS CAIU
O governo Passos/Portas caiu. Finalmente. É tempo de festejar. De sair à rua. Os fascistas e os ultra-liberais foram derrotados. Em princípio teremos o governo de esquerda ou o governo PS com o apoio da esquerda. Não deixam de ser tempos históricos estes. São barreiras que se quebram. Quanto a mim, sou colocado num estudo de Nelson de Oliveira no Brasil ao lado de nomes como Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto ou Adília Lopes. As coisas rolam. O poeta maldito que vai aos bares vomitar poesia. De facto, cometi os meus erros mas concluo que, ao longo destes anos, fui tendo razão. Falta-me ter uma coluna num jornal aqui de Braga, ser lido por esta gente boa aqui n' "A Brasileira". Sim, efectivamente as minhas ideias hoje fazem todo o sentido. Sou marxista libertário. Merda. O Passos caiu. Vamos festejar, Gotucha. Dançar noite fora. Aqui em Braga reino. As pessoas são amáveis, vivas. As miúdas são bonitas. Espero a Gotucha. Bebo. Chamo o Marques. Sou poeta. Poeta-vidente, segundo diz o Nelson de Oliveira. Ando à solta. Tantas noites. Tantas vidas. As lojas lá fora. O Passos caiu. Apetece-me celebrar. O país está em chamas. Tanto tempo à procura. Tanto tempo, loucura. "Queimai o Dinheiro" é um marco. "Queimai o Dinheiro" é um livro satírico, profético, que fala de sexo e de revolta. Em certa medida, os dois próximos livros voltam um pouco lá. Tenho de agradecer ao Ricardo e à Adriana, à Corpos. Hoje estou feliz aqui em Braga n' "A Brasileira". Que é feito de ti, Fátima? Que é feito das duas Fátimas? Nunca mais as vi. Não há dúvida que me começo a sentir mais solto. Não há dúvida que começo a sentir mais poder. O poder está na rua. Reclamemos a vida...agora! É em Braga que vai nascer a revolução. Acabaram-se os espartilhos. Acabou-se a castração. Agora somos livres, Gotucha. Podemos dançar noite fora. Celebremos com Dionisos e com as bacantes. Ah, Jaime, ah, Pacheco, se estivesses aqui a beber à minha mesa! Ah! Eles começam a tremer. Ah! Olha as mulheres belas. Podem ser nossas. Não são mais dos gajos da nota. Ah, como reino. Ah, como rio. Ah, como sou tão louco. Ah, como tudo é meu. Sim, posso recomeçar a abusar. E eu vou abusar. Não há limites. Vem aí a puta da revolução, senhores. Isto vai arder a sério. E eu vou gozar. Ah, se vou gozar. O Passos caiu. O reino está próximo.
domingo, 25 de outubro de 2015
BORRACHEIRA
Ontem apanhei uma borracheira das antigas. Cada vez me identifico mais contigo, Charles Bukowski. Sinto-me superior a tudo isto. No fundo, sou uma espécie de rei. As gajas excitam-me. E que importa se beber mais uma? Vou gastando o cacau em livros e em copos. Também o que esperavam de um poeta maldito? Que esperavam que eu dissesse deste mundo burguês, capitalista? Que não o amaldiçoasse? Que não o insultasse? Merda, de facto, estou para além. Nada tenho a ver com a vidinha. Sou de Quixote e de Guevara. Bebo porque não aguento esta pasmaceira. Bebo porque procuro o outro lado. Estou no Ceuta, à mesa, como Pessoa. Gosto de permanecer em certos cafés como o Piolho, como o Ceuta. Aqui leio, escrevo, encontro-me, faço a minha vida. Encanta-me a mulher que passa. Persigo a verdadeira vida. Não aquela que nos vendem. Efectivamente, fui abandonando o rebanho. Definitivamente. Tenho horror à "felicidade da maioria". Sou dos malditos. Nem sequer sou daqueles esquerdistas direitinhos. Não suporto esta "realidade". Estou sozinho no Ceuta. A música vem da TV. Aguardo as amigas. Os praxistas berram.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
AS MENINAS NÃO VÊM
As meninas não vêm
o poeta desespera
há horas que está no café
a ler
a escrever
a beber cerveja
o poeta desespera
há horas que está no café
a ler
a escrever
a beber cerveja
agora sai mais um poema
o poeta observa
olha para a rua
as meninas não vêm
o poeta está triste
sente-se só
o barbudo entra.
o poeta observa
olha para a rua
as meninas não vêm
o poeta está triste
sente-se só
o barbudo entra.
domingo, 18 de outubro de 2015
MULHER SELVAGEM
De facto, não tenho a eloquência de outros. Mas na escrita tenho. E volto a trilhar novos caminhos. Influências de Bukowski. De novo. A gaja da confeitaria é selvagem e excita-me. Para a semana venho cá beber uns copos. Que se fodam as chochas da outra confeitaria. A vida é para ser vivida. É claro que há dias em que estamos fodidos da cabeça. Trabalha, pequena, trabalha. Trabalha que eu não fui feito para trabalhar. Nem para ouvir os imbecis da TV. Nem os outros imbecis em geral. Trabalha que eu sou doido. Não parece mas sou doido. Há dias, noites, em que sigo a estrada do excesso. E aí não preciso de cobertura mediática. Sou completamente doido, completamente fora. Até as comentadoras desportivas me excitam. Vou continuar a beber. Que se foda. O que é que tenho a perder? Até a tua esfregona me excita. Merda, vou continuar a beber. Afinal, sou o tal poeta. O poeta das gajas. Quero lá saber das feministas. Na segunda vou buscar o cacau a Vila do Conde. No fundo, vou fazendo mais ou menos aquilo que quero. Só não suporto que tratem mal a minha menina. Estão sempre a tratar mal a minha menina. Filhos da puta. Se estivesse nas minhas mãos tratava-lhes da saúde. Mas eu sei que a puta da revolução vem aí. A puta da revolução vem aí e vamos ser vingados, menina. No entanto, ainda tenho uns minutos para permanecer contigo, mulher selvagem. Falaste-me do vento. É um começo. Não sabes quem sou. Nem o que represento. És solta. És selvagem. És espontânea. Amo-te, porra. Amo-te neste momento. Mesmo que não conheças Platão nem Nietzsche. Neste momento amo-te. Daqui a uns dias talvez te esqueça. Como te disse, sou louco. Tenho em mim a doença de Zaratustra. Amo as mulheres. Uma data delas. Não me chameis machista. Sou louco. Apenas louco, apenas poeta. Que se fodam os ponderados e as meias-medidas! Que se fodam os racionalistas! Eu sou do além, das alturas. Uma espécie de deus. Porque não? Antes sermos os nossos próprios deuses. Eu vou reinar. Eu vou triunfar. Nada me pára.
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